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CARTA DO ESTADO DE MINAS GERAES [...] EM COMEMORAÇÃO DO PRIMEIRO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

APRESENTAÇÃO

A “Carta do Estado de Minas Geraes confeccionada em Commemoração do Primeiro Centenario da Independencia” (1922) é um documento interessante para se estudar ao ensejo do segundo centenário, em 2022.

A edição da Carta aqui analisada pertence ao Fundo do Arquivo Público Mineiro (APM), de Belo Horizonte[1], publicada em “edição provisória” em Berlim/Alemanha, pela editora Dietrich Reimer[2], em 1922. Há ainda outro exemplar da Carta no Fundo Francisco Bering do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro[3].

Além da beleza dos tons aquarelados, nas grandes dimensões de 119 e 134cm, a Carta chama atenção por não se tratar de uma iniciativa do Estado, embora inserida no contexto das comemorações oficiais do Centenário da Independência. Foi elaborada pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro (1880), do qual Francisco Bering e Paulo de Frontin – mencionados na Carta - eram figuras exponenciais nos anos 20. 

A Carta traz, logo abaixo do título, a menção ao Presidente Dr. Arthur da Silva Bernardes, ao Secretário da Agricultura Dr. Clodomiro de Oliveira[4] e ao Diretor de Agricultura Dr. Álvaro da Silveira[5]. Importante lembrar que se trata de autoridades estaduais, uma vez que naquela década usava-se a expressão “presidente” para o cargo de governador. Arthur Bernardes se manteria nessa função desde 1918 até assumir a presidência da República em 15 de novembro de 1922.

O documento cartográfico apresenta logo acima da legenda uma extensa relação das fontes que serviram à sua elaboração.

Neste estudo crítico, serão apresentados o contexto histórico de elaboração da Carta pelo Clube de Engenharia e a identificação de alguns dos documentos e respectivos autores que lhe serviram de fontes.

A CARTA DO CLUBE E A CARTA GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAES

Importante lembrar que a Carta aqui estudada não é a mesma idealizada pelo Governo do Estado no âmbito do Centenário da Independência. A Carta do Estado está desaparecida, conforme supõe a historiadora Maria do Carmo Andrade Gomes (GOMES, 2015, rodapé 478, p. 234) A Carta do Clube de Engenharia, objeto desse estudo, serviu, entretanto, de fonte de consulta para o amplo trabalho estatístico e cartográfico promovido pelo Estado, na década de 20, e organizado por Teixeira de Freitas, também no mesmo contexto celebrativo.

Quando da inauguração da exposição cartográfica de 1º de setembro de 1923, em Belo Horizonte, e posteriormente, na conferência de 1931 na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro conforme publicado pela Revista Brasileira de Estatística em 1943[1], Teixeira de Freitas rememora:

Teve o empreendimento [estatístico e corográfico] como fontes mais diretas: 1º as folhas já impressas ou ainda em original da Comissão Geográfica e Geológica de Minas Gerais [...]; a carta do Estado de Minas Gerais, na escala de 1:1000000, organizada pela Comissão da Carta Comemorativa do Centenário do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro (presidente, Dr. Paulo de Frontin; relator, Dr. Francisco Bhering); 3º o arquivo de mapas, plantas, caminhamentos e croquis de municípios, distritos, zonas, rios, estradas, cidades, vilas e fazendas, reunido pelo Serviço de Recenseamento, da Diretoria Geral de Estatística [...]. (FREITAS, 1943, p. 116) (grifos nossos)

Em outros termos, a Carta do Clube de Engenharia se antecipou àquela elaborada sob a coordenação de Teixeira de Freitas – ambas no contexto das comemorações do centenário.

CLUBE DE ENGENHARIA DO RIO DE JANEIRO

A Carta de Minas Geraes de 1922 foi uma iniciativa da Comissão da Carta Comemorativa do Primeiro Centenário do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro que já havia realizado no mesmo ano a Carta Geographica do Brasil.

O Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, criado em 1880 e até hoje existente, se destacava naquele contexto tanto pelas iniciativas técnicas quanto políticas, interessado em uma engenharia comprometida com a modernização do País.

O pesquisador Rildo Borges Duarte, no texto “Projetos para um País em Projeto: O Clube de Engenharia e a Carta do Milionésimo” (2017) recupera tanto o histórico da entidade quanto o contexto em que se produziu a cartografia aqui estudada.

O Clube de Engenharia [...] reuniu em suas fileiras engenheiros do Brasil e do exterior, industriais, políticos e negociantes de várias partes do país, mas principalmente do Rio de Janeiro, interessados no desenvolvimento da engenharia enquanto instrumento para o “engrandecimento da pátria”. Por isso mesmo não era um clube de engenheiros apenas, mas antes, uma instituição a “serviço da engenharia”, compreendida já em seus estatutos a partir de sua estreita ligação com o “desenvolvimento da indústria no Brasil e a prosperidade e coesão das duas classes” – engenheiros e industriais – que a nova entidade se propunha a representar. (TURAZZI, 1989, p. 39, apud DUARTE, 2017)

Em 1922, seu presidente era Paulo de Frontin e o relator Francisco Bering, mencionados na Carta.

O engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin (1860-1933) foi presidente do Clube de Engenharia entre 22/01/1903 a 15/02/1933. Ganhou notoriedade ao conseguir o abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro, em 1888, no projeto de Seis Dias. Participou da reforma urbana da cidade, durante a gestão do prefeito Pereira Passos, em 1904. Ao lado de André Rebouças, teve participação no movimento abolicionista. (CLUBE DE ENGENHARIA DO RIO DE JANEIRO, 2021)

Mas a figura de maior destaque para elaboração da Carta tanto do Brasil quanto de Minas Gerais em 1922 foi, sem dúvida, o engenheiro Francisco Bhering. Verbete sobre sua biografia consta da apresentação do Fundo arquivístico com seu nome do Arquivo Nacional. Destaca-se que muitas das peças cartográficas citadas na Carta constam deste mesmo fundo arquivístico. Segundo esta mesma fonte:

O engenheiro Francisco Bhering (1867-1924) foi um dos primeiros professores da Escola Politécnica de São Paulo. Entre 1916 e 1922, chefiou a comissão encarregada de elaborar o novo mapa geral do Brasil, trabalho que foi publicado como parte das comemorações do centenário da Independência (ARQUIVO NACIONAL, 2021) (grifos nossos)

Francisco Bhering foi eleito para a Comissão que iria “organizar as bases geraes da construcção da Carta Geral do Brasil”, junto com Henrique Morize, Fabio Hostilho, Alvaro Rodovalho e Mario Ramos, eleita em 16 de junho de 1915, em reunião do Clube de Engenharia. (DUARTE, 2017)

Algumas fontes inclusive se referem à Carta de Minas como o “Mapa de Francisco Bhering”.

A ideia de elaboração de uma Carta Geral do Brasil vinha sendo gestada, entretanto, pelo Exército Nacional desde 1903, de forma morosa e com deficiências técnicas, segundo interpretação do Clube de Engenharia. Na análise de Duarte,

Ao se colocarem como único corpo técnico do Brasil capaz de realizar a tarefa de fornecer uma Carta do território para a República, os engenheiros do Clube de Engenharia demonstram a preocupação não apenas ao processo de modernização do território e de como esta instituição estaria na vanguarda das discussões e realizações de projetos de interesse nacional, mas também com a questão da delimitação do campo de atuação dos engenheiros. Dessa maneira, as atividades geográficas, dentre as quais se incluía a cartografia, envolvendo as noções de topografia, astronomia e geodésia, deveriam ser desenvolvidas prioritariamente por engenheiros (DUARTE, 2017)

As principais urgências para elaboração da Carta do Brasil era o desvelamento dos “sertões desconhecidos ou áreas incógnitas” do território e a definição da questão dos limites entre os estados. A adoção da escala de 1:1.000.000 estaria em consonância com a padronização acordada segundo a Comissão Internacional do Mapa do Mundo, em reunião na cidade de Londres em 1909. (Idem, ibidem)

Não se identificou, entretanto, como o Exército teria sido substituído em 1915 pelo Clube de Engenharia como responsável pela execução da Carta Geral do Brasil. Sabe-se que o projeto do Exército vinha sendo duramente criticado por Francisco Bhering. Este preconizava a adoção do método expedito, mais adequado às características do território.

O verbete da instituição do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas informa que, pelo decreto-lei n. 4.310 de 17 de agosto de 1921, o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro foi considerado entidade de utilidade pública. (CPDOC/FGV, 2021). Entende-se ser mais uma evidência do prestígio do Clube naquele contexto.

O fundo da Biblioteca Nacional dispõe de dois exemplares da “Carta Geographica do Brasil em Commemoração do Primeiro Centenário da Independencia”, organizada pelo Club de Engenharia do Rio de Janeiro, datadas de 7 de setembro de 1922, na escala: 1. 7.500.000. Uma impressa pelo “Institut de Cartographique de Paris” e a outra, na Litographia Piranga, em São Paulo. 

Há ainda no mesmo fundo um outro exemplar, de 1925, com” Reducção feita e revista por Artur Duarte Ribeiro da Carta ao milionésimo publicada em 1922”, impressa na Litographya Piranga, em São Paulo, na escala 1:500.000. Observa-se que a Carta do Brasil acima foi impressa pelo “Institut de Cartographique de Paris”, diferentemente da Carta de Minas Geraes, impressa na Alemanha

Esta Carta do Brasil toma por base: “as Cartas Geographicas de A. P. da Silva Pontes Leme, Conrado J. Niemeyer, Candido Mendes de Almeida, H. de Beaupaire Rohan, Candido Mendes de Almeida e Barão do Rio Branco; as Cartas Hidrographicas do Barão de Roussin, Vital de Oliveira, Barão de Teffé, Almirante E. Mouchez e Almirantado inglês”.

DOCUMENTOS CONSULTADOS PARA ELABORAÇÃO DA CARTA DE MINAS GERAES DE 1922 PELO CLUBE DE ENGENHARIA

Acima das legendas, a Carta de Minas Geraes de 1922, aqui estudada, informa os 19 documentos consultados para sua elaboração, inclusive os de autoria da própria “Comissão da Carta Geographica Comemorativa do Centenário da Independencia do Clube de Engenharia”. Nesse sentido, a Carta seguia a tradição cartográfica advinda do século XIX de que todas as cartas seriam construções cumulativas e coletivas, se reportando às cartas anteriores.

Nem todas as fontes da “Carta de Minas Geraes” trazem o nome "oficial do documento", data e autoria, o que dificulta sua identificação. Neste rastreamento de tais estudos cartográficos, adotou-se a busca, preferencialmente, nas páginas eletrônicas da Biblioteca Nacional (BN), do Arquivo Público Mineiro (APM), do Arquivo Nacional (BN), da Biblioteca Digital de Minas Gerais; da Biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); da Biblioteca do Senado Federal e da Biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG).

A seguir, apresentam-se as fontes informadas na Carta e o esforço despendido para sua localização nos acervos acima listados.

FONTES CONSULTADAS NA CARTA DE 1922

  • Planta Geral do Baixo São Francisco – 1852-1854 de H. G. F. Halfeld

"Atlas e relatorio concernente a exploração do Rio de S. Francisco desde a Cachoeira da Pirapora até ao Oceano Atlantico : levantado por Ordem do Governo de S. M. I. O Senhor Dom Pedro II"Esta obra foi enviada a diversos paizes da Europa. Contem este trabalho, além do relatório, o seguinte: trinta grandes folhas em que vem traçado o curso do rio S. Francisco na escala de 1:71.250 ; A planta da Cachoeira do Sobradinho, que passa pelo logar denominado Caixão no braço septentrional do rio S. Francisco ; A planta especial da barra do dito rio ; A planta geral do dito rio na escala de 1:712.500 ; O perfil longitudinal do curso deste rio desde a Cachoeira de pirapora até o Oceano atlantico; A planta da Cachoeira de Paulo Affonso, escala de 1:3.300; A planta do rio Grande desde a villa de Campo-largo até sua confluencia com o rio S. Francisco, fronteiro á Villa da Barra do rio Grande, na província da Bahia, escala de 1:71.250, e duas vistas da cachoeira de Paulo Affonso." Litographia Moderna de Georges Bertran. Rio de Janeiro.

Biografia de Halfeld: (Alemanha 1797- Juiz de Fora 1873). Engenheiro de Minas, considerado o fundador de Juiz de Fora. Trabalhou em diversas mineradoras. Em 1836 iniciou uma série de estudos como engenheiro chefe da província de Minas. Foi encarregado da exploração do rio São Francisco e seus afluentes. (ICAM, 2013, p. 229)

Mapa disponível na biblioteca do Senado Nacional: em https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/185636http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_ca:rtografia/cart1030071/cart1030071.pdf.

  •   Relatório e Mappa da Comissão Exploradora do Planalto Central de Goyaz – 1894. 

Relatório apresentado a S. Ex. o Sr. Ministro da Industria, Viação e Obras Públicas = Rapport présenté a Son Ex. M. le Ministre de l’Industrie, de la Voirie et des Travaux Publics. Trata-se do "Relatório Cruls", referente à 1ª Missão Cruls (1892-1893), durante o governo Floriano Peixoto.         

Referências a Louis Ferdinand Cruls: “Escolheram como chefe da comissão Louis Cruls, professor da Escola Superior Militar e diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, atual Observatório Nacional. Mais conhecido pelo nome aportuguesado, Luiz Cruls havia se tornado amigo do diplomata Joaquim Nabuco e dado aulas de astronomia ao imperador Dom Pedro II.

Relatório disponível na biblioteca do Senado em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/182911. 1894. Não consta o mapa.

  • Mappas da Commissão Geographica e Geologica de Minas Geraes – 1895-1899

Em Minas Gerais foi criada a Comissão Estadual de Exploração Geographica, pela Lei Estadual n° 368, em 12 de fevereiro de 1891. Seu objetivo era fazer o levantamento da Carta Geral do Estado e dos estudos dos cursos de água e dos aspectos climáticos de Minas Gerais. Em novembro de 1892, a comissão teve suas atribuições ampliadas e seu nome alterado para Comissão Geographica e Geológica de Minas Gerais. A partir de 1894, ela passou a incumbir-se também dos estudos relativos aos limites municipais e interestaduais. Em outubro de 1898, por motivo de economia, a comissão foi extinta, mantendo-se apenas os trabalhos referentes à solução de problemas relacionados aos limites e serviços de levantamento da Carta Geral do Estado, e só foi retomada 22 anos depois, em 1920, quando foi alçada à categoria de departamento, com o nome de Serviço Geográfico e Geológico do Estado de Minas Gerais. 

O livro da historiadora Maria do Carmos Andrade Gomes, "Mapas e Mapeamentos em Minas Gerais" (AnnaBlume; UFMG, 2015) informa que em 1895 foram editados pela Comissão os Mapas da Cidade de Babacena, São João del Rei, Ibertioga e Carrancas. Em 1897, foram editadas as Cartas Topográficas de Ayuruoca, Luminárias e Baependy. Em 1899, as de Lima Duarte e a Triangulação da Cidade de Juiz de Fora. No fundo do Arquivo Público Mineiro foram localizados todos Mapas/Cartas Topográficas do período de 1895 a 1889, acima citados com exceção daquela de São João del Rei.

Mappa de Reconhecimento da zona limítrofe Rio de Janeiro – Minas Geraes entre a foz do rio Pirapitinga e o Rio Itabapoana – 1905

Teixeira de Freitas informa para a Carta de Minas de 1922 coordenada por ele: "Mapa do reconhecimento da zona limítrofe Minas - Rio de Janeiro, entre a foz do Pirapetinga e o Estado do Espírito Santo, de MANUEL JOSÉ FERREIRA MARTINS (pelo Estado do Rio) e AUGUSTO CÉSAR DE VASCONCELOS (pelo Estado de Minas)". Mapa não identificado.

  • Mappa Parcial dos Estados de Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro - 1907

    Mapa disponível no Arquivo Nacional. BR AN,RIO F4.0.MAP.312 Mapa parcial das estradas de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro com o traçado da Estrada de Ferro Vitória a Diamantina e ligações projetadas com o estado da Bahia organizada pelo engenheiro civil Emílio Schnoor. - Escala 1:1.000.000. - [s.l.] : Charaire grav. e imp., 22 de maio de 1907. 1 mapa imp. : color. ; 133 x 93 cm. Reproduz a assinatura de Emílio Schnoor. 1. Ferrovia. 2. Estrada de Ferro Vitória-Diamantina. 3. Rio de Janeiro [Estado]. 4. Espírito Santo [Estado]. 5. Bahia. 6. Minas Gerais. I. Schnnor, Emílio. II. 1907.

    Biografia de Emilio Schnoor: (1885 Chateauroux, França - ?). Trabalhou na EFCB, na EF Mogiana. Realizou estudos para a estrada de ferro de Bauru (SP) a Corumbá (MT) e mais tarde chefiou a implantação desta linha. (ACADEMIA NACIONAL DE ENGENHARIA DO BRASIL, 2022). 

  • Mappa do Estado de Minas Geraes - 1910 de Benedicto Jose dos Santos

Mapa da Biblioteca Nacional disponível em: em: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart520426/cart520426.jpg.

Biografia de Benedicto José dos Santos (1879-1943) em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/115/rbg_1943_v5_n3.pdf

  • Mappa das linhas da Estrada de Ferro Oeste de Minas – 1917

No Arquivo Nacional, no Fundo Francisco Bhering, há: BR AN, RIO F4.0.MAP.337. Estrada de Ferro Oeste de Minas: mapa das linhas. - Escala 1:1.000.000. - [s.l.: s.n.], jul. 1917. 1 mapa blue-print; 75 x 51 cm. Carimbos: Clube de Engenharia - Carta Geográfica do Brasil. 49/4. Clube de engenharia - 124 Av. Central 126 - Rio de Janeiro - 30 de julho de 1917. Carimbo, no verso: Relator da Comissão da Carta C. da Independência do Brasil - 315. 1. Estrada de Ferro Oeste de Minas. I. 1917.

  • Mappa das linhas Leopoldina Railway – 1918

No Arquivo Nacional, no Fundo Francisco Bhering, há: BR AN,RIO.FA.O.MAP.333. Leopoldina Raiway Company: Mapa geral das linhas com quilometragem após a nova medição. - Escala 1:200.000. - [s.l. : s.n., 19--]. 1 mapa blue-print em 6 f. ; 89 x 72 cm. Carimbo: Clube de Engenharia - Carta Geográfica do Brasil. - 380/4. Nota: O mapa indica a posição de ferrovias não pertencentes à Leopoldina Railway. 1. Minas Gerais. 2. Rio de Janeiro [RJ].

  • Carta das linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil.

No Arquivo Nacional, no Fundo Francisco Bering há: BR AN, RIO F4.0.MAP.278. Carta das linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, organizada pela administração da mesma estrada na Seção Técnica da 5ª divisão. - Escala 1:1.000.000. - [s.l.]: Seção Cartográfica da Companhia Lit. "Ypiranga", setembro de 1919. 1 mapa imp. : color. ; 91 x 55 cm. Inserto: Linhas da E. F. C. B. no Distrito Federal. - Escala 1:200.000. Carimbo: Clube de Engenharia - Carta Geográfica do Brasil. 353/4. 1. Estrada de Ferro Central do Brasil. I. Estrada de Ferro Central do Brasil. Seção Técnica 5ª Divisão. II. 1919

  • Commissão da Carta Geographica Commemorativa da Independência

a) Limites Bahia Minas – 1919-1920

b) Exploração Pirapora Curralinho (Goyaz) – 1919: Teixeira de Freitas informa: Documentos de Exploração de Pirapora a Curralinho (Odebrecht). Adolfo Odebrecht é citado como desenhista diarista da Seção de Desenho da R. G. dos Telégrafos em alguns mapas do Fundo Francisco Bhering do Arquivo Nacional.

c) Limites Minas - Goyaz (S. Marcos) – 1920

d) Rio Parayba entre o ribeirão do Salto e o Oceano – 1920

e) Levantamento do Baixo Paranaíba 

  • Mappa da Zona Litigiosa Minas Espírito Santo de Alvaro da Silveira e C. de Almeida

     

     

     

     

     

Alvaro da Silveira era “diretor de Agricultura” da Secretaria de Estado da Agricultura conforme expresso na Carta.

Biografia: (Passos, 1867 – s/l, 1945) Engenheiro, professor, geólogo, botânico, geógrafo, climatologista. Foi nomeado engenheiro residente da EFCB em 1892. Em 1895 foi nomeado engenheiro-chefe da EFCB. Foi geólogo da Comissão Geográfica e Geológica de Minas Gerais, órgão que passou a chefiar em 1895. Etc (ICAM, 2013, p. 459).

No Mapa, Alvaro da Silveira é apresentado como engenheiro de Minas Gerais e Ceciliano Abel de Almeida, engenheiro do Espírito Santo.

Mapa  no Arquivo Público Mineiro disponível em: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/grandes_formatos_docs/photo.php?lid=804

Mapa também disponível no Arquivo Nacional: BR AN,RIO F4.0.MAP.20. Mapa da zona litigiosa entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Planta levantada pelos engenheiros Álvaro A. da Silveira e Ceciliano A. de Almeida, este pelo estado de Espírito Santo e aquele pelo estado de Minas Gerais. - Escala 1:400.000. - Belo Horizonte, MG : Imprensa Oficial, [19--]. 1 mapa imp. : color. ; 48 x 65 cm. Carimbo: Clube de Engenharia - Carta Geográfica do Brasil. 393/4. Nota: "Extraído de um livro sobre limites Minas-Espírito Santo da Secretaria do Interior do E. de Minas Gerais segundo informação verbal do engº P. Dutra. Rio, 3 de setembro 1920". Contém anotações manuscritas. 1. Espírito Santo [Estado]. 2. Minas Gerais. 3. Brasil - Divisão política. I. Almeida, Ceciliano Abel de. II. Silveira, Alvaro Astolfo da.

  • Rios Paracatu e Urucuia de Ernest von Sperling

No Arquivo Nacional há os dois mapas de Ernest von Sperling: a) Urucuia: BR AN,RIO F4.0.MAP.430 e b) Paracatu: BR AN,RIO F4.0.MAP.443.

Biografia: Ernest von Sperling é citado como engenheiro do estado da Secretaria de Viação e Obras Pública de 1914 a 1922 e diretor de “Agricultura e Colonização” da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais pelo Almanak Laemmert de 1926 1930.

  • Indicações do Padre Tetteroo (OFM) 

Teixeira de Freitas no documento do IBGE, já informado, cita como fonte da Carta Geral do Estado, sob sua coordenação: Frei Samuel Tetteroo.

Biografia:Frei Samuel Tetteroo (1875-1934) nasceu na Holanda e ingressou na ordem franciscana em 1894. No Brasil, fixou-se em Minas Gerais, onde desempenhou várias atividades, entre elas a de cartógrafo, agrimensor, historiador e escritor. Prestou vários serviços cartográficos a esse Estado pelos quais foi agraciado com medalha de ouro pelo governo de Minas. Foi membro do Instituto Histórico Geográfico de Ouro Preto e escreveu as seguintes   obras: “Memória Histórica e Geographica do Município de Jequitinhonha”. Teófilo Otoni: Typ. S. Francisco, 1919; e O Município de Theophilo Ottoni: Notas históricas e chorographicas. Belo Horizonte: Imprensa oficial de Minas Gerais, 1922.

Tais obras estão no acervo da Coleção Mineriana da Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerais e no Arquivo Público Mineiro.

  • Mappas do Barão de Eschwege

Novo Mappa da Capitania de Minas Geraes. Levantado por Guilherme Barão D’Eschwege, Tenente Coronel do Real Corpo de Engenheiros, 1821. Escala [ca. 1: 1 000 000]. (Cópia sem data). 1 mapa ms. em 4 folhas coladas, color. à mão; 141 cm x 104 cm. – (Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar-GEAEM. Lisboa, Portugal, Lx-PT). Mapa do site Repositório Toponímico da UFMG e disponível em: http://repositoriotoponimia.com.br/mapa/7.

  • Mappa de H. Gerber

GERBER, Henrique. Carta da província de Minas Geraes: com indicação das actuaes estradas e das despesas com ellas feitas durante o decennio de 1855 e 1865. Rio de Janeiro, RJ: Imperial Instituto Artistico, 1867. 1 mapa, 42 x 52. Mapa da Bibilioteca Nacional disponível em: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart176011/cart176011.jpg

  • Mappa de Chrockatt de Sá

     

     

Mapa do Estado de Minas Gerais contendo os do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo e Rio de Janeiro. 1889-1897. Autoria de Chrockatt de Sá, engenheiro civil e organizador, ex-diretor geral das Obras Públicas do Estado de Minas Gerais. Colaborador e editor: Eduardo A. G. Thompson. Editora Laemmert; Leipzig. Gravura de Giesecke e Devrient. Documento do fundo do Arquivo Público Mineiro. Indisponível para consulta em razão das dimensões do documento ou do seu estado de conservação..

 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Interessante observar que as fontes consultadas acima descritas versam sobre: (i) as divisas de Minas com os estados confrontantes: Espírito Santo, Goiás, Bahia, Rio de Janeiro; (ii) os vales dos rios São Francisco, Carinhanha, Paracatu, Urucuia, Paraíba, Paranaíba; (iii) as Estradas de Ferro Central do Brasil, Oeste de Minas e Leopoldina. 

Há uma subdivisão entre fontes gerais e aquelas produzidas pela própria “Comissão da Carta Geographica Comemorativa do Centenario da Independencia”. 

Além da cartografia propriamente dita, consultaram-se ainda textos escritos, como relatórios e "indicações".

Das 19 fontes listadas na Carta não se identificaram - até o momento - aquelas produzidas pela própria Comissão do Centenário. Subentende-se tratar-se da Comissão do Club de Engenharia. Tampouco se localizou o Mappa de Reconhecimento da Zona Limítrofe Rio de Janeiro - Minas Geraes entre a foz do rio Pirapitinga e o rio Itabapoana 1905.

Os documentos informativos do censo de 1920 são conhecidos e disponíveis no site do IBGE.

Quanto às datas das fontes, percorreu-se o período de quase um século. Há mapas desde 1821 até 1921, embora alguns sem data informada nas indexações dos arquivos guardiões.

Importante destacar a relação entre a Comissão Geographica e Geológica de Minas Geraes - reinaugurada em 1921 - e a própria Comissão do Centenário da Independência do Club de Engenharia do Rio de Janeiro - evidenciando uma multiplicidade de atores tentando retratar o estado em 1922.

REFERÊNCIA CONSULTADA

GOMES, Maria do Carmo Andrade. Mapas  e Mapeamentos. Políticas Cartográficas em Minas Gerais. 1890-1930. São Paulo: Annablume/Pós-graduação UFMG, 2015


[1] A indexação da Carta no fundo do Arquivo Público Mineiro se faz pelo nome equivocado de “Carta Topografica do Estado de Minas Geraes confeccionada em comemoração do Primeiro Centenário da Independência”. No APM, a imagem está indisponível em decorrência das dimensões do documento ou de seu estado de conservação. A versão aqui estudada foi reproduzida pelo APM.

[2] A Carta traz ao lado da Editora o nome do então proprietário, Ernest Vohsen. As fontes sugerem que ele tenha se tornado proprietário em 1891, quando o fundador Dietrich Arnold Reimer teria se afastado da editora. Na página eletrônica do Arquivo Público Mineiro, o mapa aparece parcialmente.

[3] Nesta instituição, a indexação da Carta é bastante completa e é a que se segue: Carta do estado de Minas Gerais, confeccionada em comemoração do primeiro centenário da Independência, sendo presidente o exmº sr. dr. Artur da Silva Bernardes, sendo secretário da Agricultura o exmº sr. dr. Clodomiro de Oliveira e diretor da Agricultura o exmº sr. dr. Álvaro da Silveira, organizado pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, sendo o relator o engenheiro Francisco Bhering. - Provisória. - Escala 1:1.000.000. - Berlim, Alemanha: Dietrich Reimer [Ernst Vohsen], 1922. 2 mapas em 2 f. imp.: color.; 119 x 134 cm. Apresenta relação dos documentos consultados para construção do mapa. Acompanha cópia. 1. Minas Gerais. I. Clube de Engenharia. II. 1922. (ARQUIVO NACIONAL, 2021)

[4] Clodomiro de Oliveira (1868-1935) foi Secretário da Agricultura, Indústria, Terras, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais, entre 1918 e 1922. (ICAM, 2013).

[5] Segundo a mesma fonte, Álvaro da Silveira (1867-1945) teria assumido a Diretoria Técnica da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais, em 1907 até 1913 – contrariando a informação da Carta.

Carta do Estado de Minas Geraes confeccionada em Commemoração do Primeiro Centenario da Independência. 1922.

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